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Câncer de laringe: primeiros sintomas, diagnóstico e tratamento cirúrgico

Temo de leitura: 6 minutes.
Atualizado em: 23/03/2026.

A rouquidão que não passa. Uma tosse persistente que não responde aos remédios comuns. Uma sensação de algo preso na garganta. Esses são sintomas que muitas pessoas experimentam e, por vezes, ignoram — atribuindo-os ao refluxo, a um resfriado prolongado ou ao cansaço da voz. Mas quando esses sinais persistem por mais de três semanas, podem ser os primeiros indícios de um câncer de laringe.

O câncer de laringe é o tipo mais frequente de câncer de cabeça e pescoço no Brasil, e a boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, apresenta taxas de cura altíssimas — superiores a 80 a 90% nos estádios iniciais. O problema está no diagnóstico tardio: a maioria dos casos ainda é detectada em fases avançadas, quando o tratamento é mais complexo e os resultados, mais limitados.

Neste artigo, vou apresentar o que você precisa saber sobre o câncer de laringe: os fatores de risco, os sintomas de alerta, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento — incluindo as abordagens cirúrgicas modernas.

O que é a laringe e por que ela é tão importante?

A laringe é um órgão localizado na parte anterior do pescoço, entre a faringe (garganta) e a traqueia. Ela desempenha três funções essenciais: produzir a voz, proteger as vias aéreas durante a deglutição e participar da respiração. É composta por cartilagens, músculos, ligamentos e, fundamentalmente, pelas pregas vocais — também chamadas de cordas vocais — que vibram para produzir o som.

Quando um tumor se desenvolve na laringe, qualquer uma dessas funções pode ser comprometida, daí a importância de detectar a doença o mais cedo possível — quando ainda é possível preservar estrutura e função.

Quem tem mais risco?

O tabagismo é, de longe, o principal fator de risco para o câncer de laringe. Fumantes têm um risco de 5 a 10 vezes maior de desenvolver a doença em comparação com não fumantes. O risco é proporcional à quantidade e duração do hábito, mas também persiste por anos após a cessação do tabagismo.

O consumo excessivo de álcool potencializa o risco do tabagismo de forma sinérgica — quem fuma e bebe tem um risco exponencialmente maior do que quem tem apenas um dos hábitos. Outros fatores de risco incluem exposição ocupacional a asbesto, poeiras de madeira e substâncias químicas, infecção pelo vírus HPV (em tumores de hipofaringe e supraglote) e histórico de refluxo laringofaríngeo não tratado.

O câncer de laringe é mais comum em homens, especialmente acima dos 50 anos, embora o número de mulheres afetadas tenha crescido nas últimas décadas, acompanhando o aumento do tabagismo feminino.

Quais são os sintomas do câncer de laringe?

Os sintomas variam conforme a localização do tumor dentro da laringe. Os tumores glóticos — que se originam nas pregas vocais — costumam causar sintomas mais precoces, o que favorece o diagnóstico inicial. Já os tumores supraglóticos e subglóticos tendem a ser mais silenciosos nas fases iniciais.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Rouquidão persistente por mais de 3 semanas: é o sintoma mais comum e o sinal de alerta mais importante nos tumores glóticos
  • Disfagia: dificuldade ou dor para engolir alimentos, especialmente sólidos
  • Odinofagia: dor ao engolir, que pode irradiar para o ouvido (otalgia referida)
  • Sensação de corpo estranho na garganta
  • Tosse crônica, por vezes com presença de sangue (hemoptise)
  • Dispneia: falta de ar progressiva, especialmente em tumores mais avançados que obstruem a via aérea
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Caroço no pescoço: pode indicar comprometimento dos linfonodos cervicais

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de laringe começa pela suspeita clínica, levantada a partir dos sintomas e do histórico do paciente. A consulta com o cirurgião de cabeça e pescoço ou o otorrinolaringologista inclui um exame físico completo da cabeça e pescoço, com palpação dos linfonodos cervicais.

O exame fundamental para visualizar a laringe é a laringoscopia — que pode ser indireta (com espelho) ou direta (com fibra óptica flexível ou rígida). Esse exame permite visualizar diretamente as pregas vocais e identificar lesões suspeitas.

Quando há lesão visível, a biópsia é indispensável para o diagnóstico definitivo. Ela é realizada sob anestesia geral, com o paciente sedado, e as amostras são enviadas para análise anatomopatológica. Exames de imagem — tomografia computadorizada e ressonância magnética — são utilizados para estadiar a doença, ou seja, avaliar a extensão local do tumor e verificar se há comprometimento de linfonodos ou metástases à distância.

Estadiamento: por que ele é tão importante?

O estadiamento do câncer de laringe determina a extensão da doença e é fundamental para planejar o tratamento. Ele segue a classificação TNM (Tumor, Nódulo, Metástase), que considera o tamanho e extensão do tumor primário (T), o comprometimento de linfonodos regionais (N) e a presença de metástases à distância (M).

Os estádios I e II indicam doença localizada, com excelente prognóstico. Os estádios III e IV indicam doença mais avançada, com comprometimento de estruturas adjacentes e/ou linfonodos, exigindo abordagem terapêutica mais complexa e multidisciplinar.

Tratamento: quais são as opções?

O tratamento do câncer de laringe depende do estádio da doença, da localização do tumor, do estado geral do paciente e — fundamentalmente — do objetivo de preservar ao máximo a função laríngea.

Cirurgia

A cirurgia é o principal tratamento para o câncer de laringe, especialmente nos estádios iniciais. Nos tumores precoces das pregas vocais (estádios I e II), é possível realizar a remoção do tumor com preservação total ou parcial da laringe, mantendo a voz e a deglutição. As técnicas modernas incluem:

  • Microcirurgia endoscópica a laser (TLM): remoção do tumor por via endoscópica, sem incisões externas, com excelentes resultados funcionais e oncológicos
  • Laringectomia parcial: remoção de parte da laringe, preservando sua função em casos selecionados
  • Laringectomia total: remoção completa da laringe, indicada nos casos mais avançados. O paciente precisará aprender uma nova forma de se comunicar e respirará através de uma abertura no pescoço (traqueostoma)

Quando há comprometimento dos linfonodos cervicais, o esvaziamento cervical — remoção dos linfonodos e tecidos adjacentes do pescoço — é realizado concomitantemente à cirurgia da laringe.

Radioterapia

A radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal em estádios iniciais (com resultados comparáveis à cirurgia e maior preservação vocal) ou como tratamento adjuvante após a cirurgia, para reduzir o risco de recidiva. Também é utilizada em associação com quimioterapia (radioquimioterapia) nos casos avançados onde se busca preservar o órgão.

Quimioterapia

A quimioterapia raramente é utilizada isoladamente. Sua principal aplicação no câncer de laringe é em combinação com a radioterapia, nos protocolos de preservação de órgão para doença avançada, e no tratamento de doença metastática.

Reabilitação e qualidade de vida

O tratamento do câncer de laringe pode impactar funções essenciais como a voz, a deglutição e a respiração. Por isso, a reabilitação é parte fundamental do cuidado. Fonoaudiólogos especializados em disfagia e reabilitação vocal são peças indispensáveis na equipe multidisciplinar.

Pacientes submetidos à laringectomia total podem aprender a falar por meio de técnicas de voz esofágica, prótese de voz ou eletroaringe — e muitos retornam a uma vida social ativa e produtiva após o tratamento.

A prevenção começa agora

A mensagem mais importante sobre o câncer de laringe é simples: a prevenção está ao seu alcance. Parar de fumar é, isoladamente, a intervenção mais eficaz para reduzir o risco. Moderar o consumo de álcool potencializa ainda mais essa proteção.

E se você fuma, bebe excessivamente e percebe qualquer um dos sintomas descritos neste artigo — especialmente rouquidão que persiste por mais de três semanas — não espere. Procure um especialista. O diagnóstico precoce pode ser a diferença entre uma cirurgia pequena e uma cirurgia radical. Entre preservar a voz e perdê-la. Entre curar e conviver.

Dra.Adriana Brasil

CRM 87876-SP

Cirurgiã de Cabeça e Pescoço RQE nº 22482 e Cirurgiã Oncológica RQE nº 122146.
Formada em Medicina pela UNICAMP, com especialização em cirurgia oncológica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), com mais de 25 anos de experiência.

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