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Tumor de glândula parótida: o que é, sintomas e quando operar

Temo de leitura: 6 minutes.
Atualizado em: 23/03/2026.

Você notou um inchaço ou caroço próximo à orelha, no rosto ou abaixo do queixo que não desaparece? Esse pode ser o primeiro sinal de um tumor de glândula salivar — uma condição que gera muito medo quando diagnosticada, mas que, na grande maioria dos casos, tem tratamento eficaz e excelente prognóstico.

As glândulas salivares são órgãos frequentemente ignorados até que algo dê errado. Produzem saliva de forma silenciosa e contínua, contribuindo para a digestão, a proteção dos dentes e a saúde oral. Quando desenvolvem tumores, a maioria é benigna — mas a avaliação especializada é indispensável para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento adequado.

Neste artigo, vou explicar o que são as glândulas salivares, os tipos de tumores que podem se desenvolver nelas, como reconhecer os sintomas, de que forma o diagnóstico é feito e quando a cirurgia é indicada.

O que são as glândulas salivares?

As glândulas salivares são responsáveis pela produção de saliva, substância fundamental para iniciar a digestão dos alimentos, lubrificar a boca e a garganta, proteger os dentes contra cáries e facilitarmos a fala. Existem três pares de glândulas salivares maiores e centenas de glândulas salivares menores distribuídas pela mucosa oral.

As três glândulas maiores são:

  • Glândula parótida: a maior de todas, localizada em frente e abaixo da orelha, em cada lado do rosto. É a principal produtora de saliva aquosa. Responde por aproximadamente 70% dos tumores de glândulas salivares.
  • Glândula submandibular: localizada abaixo da mandíbula, produz saliva mais espessa e mucosa. É a segunda mais acometida por tumores.
  • Glândula sublingual: a menor das glândulas maiores, localizada sob a língua. Raramente desenvolve tumores.

Quais são os tipos de tumores de glândula salivar?

Os tumores de glândulas salivares são classificados em benignos e malignos. A distinção é fundamental para o planejamento terapêutico.

Tumores benignos

Representam aproximadamente 75 a 80% dos tumores de glândulas salivares. O tipo mais comum é o adenoma pleomórfico (ou tumor misto), que responde por cerca de 70% de todos os tumores da parótida. Cresce lentamente, é indolor, bem delimitado e raramente se transforma em câncer — embora essa transformação (carcinoma ex-adenoma pleomórfico) seja possível, especialmente quando o tumor não é tratado por muitos anos.

Outro tumor benigno importante é o tumor de Warthin (cistoadenoma papilar linfomatoso), mais comum em homens idosos e frequentemente associado ao tabagismo. Ao contrário do adenoma pleomórfico, pode ser bilateral.

Tumores malignos

Os carcinomas de glândula salivar são menos frequentes, mas exigem atenção e tratamento especializado. Os tipos mais comuns incluem o carcinoma mucoepidermoide (o mais frequente dos malignos), o carcinoma adenoide cístico (caracterizado por crescimento lento, mas alta tendência de invasão perineural e recidiva tardia) e o carcinoma de células acinares.

Os tumores malignos tendem a crescer mais rapidamente, podem causar paralisia facial (nos tumores da parótida que invadem o nervo facial), são frequentemente aderidos aos tecidos adjacentes e podem comprometer os linfonodos do pescoço.

Quais são os sintomas?

O sintoma mais comum e frequentemente o único nos tumores benignos é o aparecimento de um nódulo indolor, de consistência firme ou elástica, de crescimento lento, localizado em frente à orelha, no rosto ou abaixo do queixo.

No caso dos tumores malignos, outros sinais podem estar presentes:

  • Crescimento rápido do nódulo
  • Dor local ou irradiada para o ouvido
  • Paresia ou paralisia facial (dificuldade de movimentar os músculos do rosto do lado afetado) — sinal de envolvimento do nervo facial nos tumores da parótida
  • Fixação do tumor à pele ou às estruturas profundas — nódulo que não se move ao palpar
  • Comprometimento dos linfonodos cervicais — caroços adicionais no pescoço
  • Ulceração da pele sobre o tumor

Vale destacar: a ausência de dor não indica benignidade. Muitos tumores malignos de glândulas salivares, especialmente nas fases iniciais, são completamente indolores. Qualquer nódulo persistente nessa região merece investigação.

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica pelo cirurgião de cabeça e pescoço, que examina as características do nódulo, palpa os linfonodos cervicais e investiga o histórico do paciente.

Os principais exames complementares incluem:

  • Ultrassonografia: primeiro exame de imagem indicado, avalia as características internas do tumor (sólido, cístico ou misto), seus limites e relação com estruturas adjacentes
  • Ressonância magnética: exame de escolha para avaliar a extensão dos tumores da parótida, especialmente para verificar a relação com o nervo facial
  • Tomografia computadorizada: complementar, especialmente para tumores da submandibular e quando há suspeita de envolvimento ósseo
  • Biópsia por agulha fina (PAAF): coleta de células para análise citológica. Embora útil, tem limitações no diagnóstico dos tumores salivares devido à grande variabilidade histológica

Na maioria dos casos, o diagnóstico definitivo só é estabelecido após a análise anatomopatológica do tumor removido cirurgicamente — o que reforça a importância da cirurgia tanto para o tratamento quanto para o diagnóstico.

Quando operar?

A indicação cirúrgica é praticamente universal nos tumores de glândulas salivares. Mesmo nos tumores benignos, a remoção é recomendada pelos seguintes motivos:

  • O diagnóstico definitivo só é possível após o exame histológico do tumor completo
  • O adenoma pleomórfico, se não removido, pode crescer indefinidamente e tornar a cirurgia mais complexa com o tempo
  • Existe risco de transformação maligna nos tumores benignos não tratados
  • Infecções recorrentes e desconforto podem ocorrer

Nos tumores malignos, a cirurgia é o pilar do tratamento e deve ser realizada com margens de segurança adequadas. Dependendo da histologia e do estádio, pode ser complementada com radioterapia e, em casos selecionados, quimioterapia.

Como é a cirurgia da parótida?

A remoção da parótida — chamada parotidectomia — é a cirurgia de glândula salivar mais realizada e, também, a mais desafiadora, devido à presença do nervo facial no interior da glândula.

O nervo facial (VII par craniano) é responsável pelos movimentos da musculatura facial — piscar os olhos, sorrir, franzir a testa. Ele percorre toda a extensão da parótida, dividindo-a em lobo superficial e profundo. Por isso, a preservação do nervo facial é a prioridade técnica central na parotidectomia.

Nos tumores benignos confinados ao lobo superficial, realiza-se a parotidectomia superficial com identificação e dissecção cuidadosa do nervo facial. O risco de lesão permanente do nervo é baixo quando a cirurgia é realizada por cirurgião experiente, mas a paresia facial temporária pode ocorrer no pós-operatório imediato e, na maioria dos casos, se resolve completamente.

Nos tumores malignos, especialmente quando há invasão do nervo facial, pode ser necessária a ressecção do nervo seguida de reconstrução — com técnicas que visam restaurar ao máximo a função e a estética facial.

O que esperar após a cirurgia?

A recuperação da parotidectomia costuma ser bem tolerada. A internação é geralmente de 1 a 2 dias. A cicatriz, feita seguindo os contornos naturais da orelha e do pescoço, tem boa evolução estética com os cuidados adequados.

Uma complicação específica da parotidectomia é a síndrome de Frey (ou síndrome auriculotemporal), caracterizada por sudorese e rubor na região da cirurgia durante as refeições. Ocorre em parte dos pacientes e tem tratamento disponível quando incomoda.

Os tumores malignos requerem acompanhamento oncológico rigoroso após o tratamento, com consultas e exames periódicos para rastreio de recidiva.

Diagnóstico precoce: o fator decisivo

Como em todos os tumores de cabeça e pescoço, o diagnóstico precoce é o fator que mais influencia o prognóstico. Um nódulo pequeno, identificado cedo, é removido com uma cirurgia de menor extensão, menor risco e melhor resultado estético e funcional. Um tumor descoberto tardiamente, maior e com possível comprometimento de estruturas adjacentes, exige cirurgia mais ampla e tratamentos complementares.

Se você percebeu um nódulo próximo à orelha, no rosto ou abaixo do queixo que persiste por mais de quatro semanas, não adie a consulta. A avaliação com um cirurgião de cabeça e pescoço é rápida, não invasiva inicialmente, e pode transformar um diagnóstico tardio em um diagnóstico precoce — e isso faz toda a diferença.

Dra.Adriana Brasil

CRM 87876-SP

Cirurgiã de Cabeça e Pescoço RQE nº 22482 e Cirurgiã Oncológica RQE nº 122146.
Formada em Medicina pela UNICAMP, com especialização em cirurgia oncológica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), com mais de 25 anos de experiência.

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