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PAAF de tireoide: o que e, como é feita e se doi

Temo de leitura: 5 minutes.
Atualizado em: 27/04/2026.

Você recebeu o resultado do ultrassom da tireoide com algum nódulo classificado como TI-RADS 4 ou 5 é o médico indicou uma PAAF. Sé a sigla soa estranha é o procedimento parece assustador, este artigo é para você. A PAAF é um dos exames mais realizados pelo cirurgião de cabeça e pescoço e, quando bem indicada, é a ferramenta mais precisa que existe para saber, dé uma vez por todas, sé um nódulo na tireoide é benigno ou maligno.

A boa notícia é que a realidade do procedimento é muito menos intimidadora do que o nome ou a ideia sugere. Neste artigo, vou explicar o que é a PAAF, como elá funciona, o que você vai sentir é o que esperar depois.

O que significa PAAF?

PAAF é a sigla para Punção Aspirativa por Agulha Fina. Em inglês, o equivalente é o FINA (Fine Needle Aspiration). Trata-se dé um procedimento minimamente invasivo que usa uma agulha fina para coletar células do interior do nódulo tireoidiano para análise microscópica.

Diferente dé uma biópsia cirúrgica, a PAAF não exige incisão, não requer anestesia geral e não deixa cicatriz. É realizada de forma ambulatorial, no consultório ou em salá de procedimentos, é o paciente vai embora caminhando logo após.

Quando a PAAF de tireoide é indicada?

A indicação da PAAF segue critérios bem definidos, baseados principalmente na classificação TI-RADS do ultrassom e no tamanho do nódulo:

  • Nódulos TI-RADS 4 com diâmetro maior que 1,5 cm
  • Nódulos TI-RADS 5 com diâmetro maior que 1 cm
  • Nódulos TI-RADS 3 com diâmetro maior que 2,5 cm
  • Nódulos em crescimento progressivo documentado em ultrassons seriados
  • Nódulos associados a sintomas como rouquidão, disfagia ou caroços no pescoço
  • Nódulos em pacientes com fatores de risco elevado para câncer de tireoide

Nódulos menores que os limites acima geralmente são acompanhados com ultrassons periódicos, sem necessidade de punção imediata.

Como é realizada a PAAF de tireoide?

O procedimento segue etapas simples e bem estabelecidas:

Preparo

A PAAF de tireoide normalmente não exige preparo especial. O paciente não precisa estar em jejum. Medicamentos anticoagulantes devem ser discutidos previamente com o médico, pois alguns podem precisar ser suspensos temporariamente. Roupas confortáveis que deixem o pescoço acessível facilitam o procedimento.

Posicionamento

O paciente fica deitado em decúbito dorsal, com o pescoço em leve hiperextensão para facilitar o acesso ao nódulo. Um coxim pode ser colocado sob os ombros para melhorar o posicionamento.

Guia por ultrassom

O cirurgião posiciona o transdutor de ultrassom sobre o pescoço para visualizar o nódulo em tempo real. Essa guia é fundamental: permite confirmar que a agulha está exatamente dentro do nódulo, aumentando a precisão da coleta e reduzindo a chance de resultado inconclusivo.

Anestesia local

Uma pequena quantidade de anestésico local é injetada na pele e no tecido subcutâneo sobre o nódulo. Esse é o momento em que a maioria dos pacientes sente um leve ardor ou picada, semelhante ao dé um exame de sangue. Após a anestesia, o procedimento em si é praticamente indolor.

A punção

Uma agulha fina, conectada a uma seringa, e introduzida através da pele até o interior do nódulo. O cirurgião realiza pequenos movimentos de vai e vem para coletar células. O procedimento dura apenas alguns segundos por passagem e geralmente é repetido 2 a 3 vezes para garantir material suficiente para análise. O material aspirado é colocado em lâminas para análise citológica.

Após a punção

Uma pequena compressa é aplicada no local por alguns minutos para evitar hematoma. O paciente pode retomar suas atividades normais imediatamente. Leve sensibilidade ou pequeno roxo no local pode ocorrer e desaparece em 1 a 2 dias.

Doi? O que se sente durante a PAAF?

Esta é a pergunta que mais recebo antes do procedimento. A resposta honesta é: a agulha de anestesia doi um pouco, semelhante a coleta de sangue ou a uma injeção. Após a anestesia, a punção em si raramente é dolorosa. Muitos pacientes relatam sentir apenas uma pressão leve.

A ansiedade antes do procedimento costuma ser maior do que o desconforto real. A maioria dos pacientes termina a PAAF surpresa com o quanto foi simples e rápido, geralmente menos de 15 minutos no total.

O que pode dar errado?

A PAAF é um procedimento extremamente seguro. Complicações graves são raras. As ocorrências mais comuns são:

  • Hematoma local: pequeno roxo que desaparece espontaneamente em poucos dias
  • Leve dor ou sensibilidade no local por 24 a 48 horas, controlada com analgesia simples
  • Resultado inconclusivo (Bethesda I): ocorre em 5 a 10% dos casos e indica necessidade de punção

Infecção, sangramento significativo ou outras complicações graves são excepções raras quando o procedimento é realizado por especialista experiente com guia de ultrassom.

Quanto tempo leva para sair o resultado?

O resultado da PAAF, chamado de citopatológico ou laudo citológico, costuma ficar pronto em 3 a 10 dias úteis, dependendo do laboratório. Em alguns centros, existe a opção de resultado mais rápido para casos de maior urgência clínica.

O resultado é classificado pelo Sistema de Bethesda, com categorias que vão de Bethesda I (material insuficiente) a Bethesda V (maligno). Essa classificação é o que guia a conduta do cirurgião: acompanhar, repetir a punção, realizar cirurgia diagnóstica ou indicar a tireoidectomia.

A PAAF confirma ou exclui o câncer?

A PAAF é o melhor exame disponível para avaliar nódulos tireoidianos, com sensibilidade superior a 95% para detecção de malignidade quando o material é adequado. Porém, elá analisa células, não tecido completo. Por isso, em algumas categorias intermediárias do Bethesda, o diagnóstico definitivo só é possível após a análise da peça cirúrgica retirada na cirurgia.

Se você está aguardando a indicação dé uma PAAF ou acabou de receber essa indicação, o mais importante é entender: este exame é uma ferramenta de esclarecimento, não de sentenca. Ele existe para dar respostas, não para gerar mais medo. E com a resposta correta em mãos, o caminho fica claro.

Dra.Adriana Brasil

CRM 87876-SP

Cirurgiã de Cabeça e Pescoço RQE nº 22482 e Cirurgiã Oncológica RQE nº 122146.
Formada em Medicina pela UNICAMP, com especialização em cirurgia oncológica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), com mais de 25 anos de experiência.

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