Reconstrução em cirurgia de cabeça e pescoço
• Por que a reconstrução é parte essencial do tratamento
• Principais técnicas de reconstrução
• A reconstrução da mandíbula
• Como é a reabilitação após a reconstrução
• Qual é a expectativa de resultado
O diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço e a perspectiva de uma cirurgia extensa geram uma preocupação que vai além do controle do tumor. O que fica depois? Como vai ser o rosto, a voz, a deglutição?
Essas preocupações são completamente legítimas. E merecem uma resposta clara: a reconstrução em cirurgia de cabeça e pescoço é parte integral do tratamento, não um complemento opcional. E ela tem evoluído enormemente.
Por que a reconstrução é parte essencial do tratamento em cabeça e pescoço?
Em cirurgias de cabeça e pescoço, as estruturas removidas com o tumor têm funções vitais: deglutição, mastigação, respiração, fonação e proteção da via aérea. Quando essas estruturas são removidas, a reconstrução é o que determina a qualidade de vida depois.
Além disso, cobrir estruturas vasculares expostas, como a artéria carótida, com tecido bem vascularizado é fundamental para evitar complicações graves no pós-operatório.
Quais são as principais técnicas de reconstrução em cirurgia de cabeça e pescoço?
Fechamento primário
A opção mais simples. Quando o defeito é pequeno, as bordas podem ser aproximadas diretamente com sutura. Aplicável em ressecções limitadas de mucosa oral ou pequenas porções de língua.
Enxertos de pele
Usados para cobrir defeitos superficiais. A pele é retirada de área doadora, geralmente a coxa, e aplicada sobre o leito receptor.
Retalhos locais e regionais
Uma porção de tecido deslocada da região próxima ao defeito, mantendo sua conexão vascular. Os mais usados em cabeça e pescoço incluem o retalho de peitoral maior e o retalho nasogeniano.
Retalhos livres microvascularizados
São o padrão-ouro para defeitos grandes ou complexos em cirurgia de cabeça e pescoço. O tecido é retirado de área doadora distante e os vasos são reconectados por microcirurgia no pescoço. Os mais utilizados são:
• Retalho radial do antebraço: fino e maleável, excelente para língua e assoalho da boca
• Retalho de fíbula: inclui osso da perna, padrão-ouro para reconstrução da mandíbula
• Retalho anterolateral da coxa: volumoso e versátil, para defeitos extensos de faringe ou laringe
A reconstrução da mandíbula em cirurgia de cabeça e pescoço
A reconstrução da mandíbula é um dos maiores desafios da cirurgia de cabeça e pescoço. O retalho de fíbula é o padrão-ouro. O osso da fíbula pode ser modelado seguindo a curvatura da mandíbula.
Após a reintegração vascular por microcirurgia, o osso se comporta como tecido vivo e pode receber implantes dentários osteointegrados num segundo tempo, restaurando a capacidade mastigatória.
Como é a reabilitação após a reconstrução de cabeça e pescoço?
Fonoaudiologia
Fundamental para reabilitação da deglutição e da fala após cirurgias que afetaram a língua, o palato, a laringe ou a faringe. O fonoaudiólogo trabalha a musculatura residual e orienta a progressão da dieta.
Fisioterapia
Recuperação da amplitude de movimento do pescoço e do ombro, especialmente quando houve esvaziamento cervical. Prevenção e tratamento do linfedema cervical.
Implantes dentários e reabilitação oral
Após reconstrução mandibular com fíbula, implantes dentários osteointegrados devolvem ao paciente a capacidade de comer normalmente.
Qual é a expectativa de resultado após reconstrução de cabeça e pescoço?
A reconstrução em cirurgia de cabeça e pescoço evoluiu enormemente. O que antes exigia meses de internação e múltiplas cirurgias hoje pode ser resolvido em uma única cirurgia com recuperação em dias a semanas.
A maioria dos pacientes que passa por cirurgias extensas de cabeça e pescoço tem perspectiva real de recuperar qualidade de vida, de voltar a comer, falar e viver socialmente. E essa perspectiva começa com um planejamento que inclui a reconstrução como parte do tratamento.
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